Vida saudável
segunda-feira, 02.06.2014

Por:  VERIDIANA GOMES OLIVEIRA BARBOSA LIMA

Apesar de ser vista como radical, a dieta vegetariana restrita, ou vegana, se mostra benéfica à saúde, conforme o médico Eric Slywitch, nutrólogo e membro da Sociedade Vegetariana Brasileira.


Quando um indivíduo se diz vegano, a alimentação é um dos aspectos mais discutidos, pois os adeptos deste modo de vida não consomem nenhum produto de origem animal ou derivado. Sendo assim, veganos não comem carne, leite, iogurte, pães feitos com ovos, e até mel. Eles também não utilizam roupas de couro, seda ou cosméticos e medicamentos que foram testados em animais, combatendo a exploração dos mesmos.


A dieta vegana – ou vegetariana restrita – é diferente da ovolactovegetariana, que ainda aceita o consumo de ovos e leite. Por terem uma dieta restrita, muitos acreditam que veganos não se alimentam bem e têm deficiência de alguns nutrientes, principalmente a proteína e o cálcio, tão abundantes na carne e no leite.


Segundo Eric Slywitch, coordenador do Departamento de Medicina e Nutrição da Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB) e nutrólogo pela Faculdade de Medicina de Jundiaí, “sempre que você tira os derivados animais da alimentação, é importante que haja uma substituição para que não haja uma deficiência”.


O médico, vegano há 22 anos, diz que 80% de seus pacientes são vegetarianos e veganos que buscam uma alimentação correta e balanceada e avaliação frequente, da mesma forma que indivíduos que consomem todos os alimentos (onívoros).


Porém, ao atender vegetarianos é preciso dar atenção à vitamina B-12, único nutriente que não pode ser suprido numa dieta vegana. Segundo Slywitch, 40% da população onívora latino-americana tem algum grau de deficiência da vitamina B-12.


O especialista ressalta que este é um problema mundial, não apenas de vegetarianos. “Até hoje, em consultório eu nunca atendi um único vegetariano com carência de proteína, fazendo avaliação laboratorial e corporal, então a questão da proteína é realmente um mito”, afirma o médico.


A vitamina B-12 é necessária para o metabolismo dos aminoácidos e ácidos nucléicos, além da boa manutenção do sistema nervoso, e pode ser suprida na forma de cápsulas ou de injeção intravenosa.


O médico afirma que “indivíduos que não comem nenhum derivado de animal possuem boa saúde e redução no nível de doenças crônicas degenerativas, maior do que nas populações que consomem carne”.


Em um recente relatório publicado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), sobre dieta, nutrição e prevenção de doenças crônicas, especialistas investigam as vantagens da alimentação à base de vegetais e afirmam: “Os subgrupos da população que consomem dietas ricas em alimentos de origem vegetal apresentam taxas mais baixas de cardiopatia coronária que a população em geral”.


Nos Estados Unidos, segundo estudo publicado na revista “Vegetarian Times”, há 7,3 milhões de vegetarianos, dos quais um milhão são veganos.


No Brasil o veganismo começou a ser difundido na década de 90 e vem crescendo lentamente, porém já existe um nicho de mercado nas principais cidades, como São Paulo, onde há restaurantes, sorveterias e lojas onde os adeptos do veganismo encontram desde tênis, sabonetes, creme dental, e uma grande variedade de pratos e lanches. Grandes empresas como a Nestlé, Natura e O Boticário já fabricam produtos veganos.


Amir Abdul, 28 anos, é vegano há 11 anos e no início teve dificuldades. “Passei por uma fase sem informação absoluta sobre o que substituir e a função de cada alimento. Até dez anos atrás era complicado fazer a transição da alimentação, mas hoje em dia em qualquer supermercado você encontra proteína de soja, doce de leite de soja, etc”, afirma.


O veganismo é mais do que a mudança de hábito alimentar. O adepto busca outra forma de viver frente ao seu consumo, procurando ser mais consciente em relação ao que está por trás de sua escolha alimentar. “Dados da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação mostram que 70% da floresta amazônica vêm sendo destruída devido à pecuária, então existe uma grande preocupação com o impacto ambiental que está ligado ao consumo de carne, leite e derivados”, afirma Eric.

fonte: http://www.uniara.com.br/